|
Muito curioso a forma como algumas coisas são descobertas ou criadas. O drift ou drifting é uma delas. Foi meio que “sem querer”. Um piloto japonês, Keiichi Tsuchiya, na década de 70 corria nas “All Japan Touring Car Championship races” quando começou a tirar vantagem daquilo que parecia ser “um atraso de vida” para carros e pilotos.
Tirando vantagem nas curvas
O que seria o “atraso”? Todo mundo sabe que são as curvas e até aí tudo bem. Numa corrida convencional, alta velocidade em curvas é sinônimo de perigo, por isso essa é a hora de diminuir a rotação das rodas e atrasar mais o carro. O pior de tudo é fazer isso sem derrapar os pneus evitando mais atrasos. Se o piloto entender bem essas regras da física e sair da curva o mais rápido possível, ele terá grande chance de vencer a corrida.
Mas o que dizer de um piloto que quebrou esse tabu e ainda criou um esporte tão eletrizante? Foi exatamente o que Keiichi Tsuchiya fez quando, ao invés de evitar a derrapagem nas curvas, as intensificou tirando vantagem.
Sua técnica ficou tão apurada que começou a chamar a atenção e virou esporte. Daí nasceu a “derrapagem ou deslize”, tradução do nome Drift.
O Drifting hoje
Atualmente, mais do que derrapar nas curvas escapando a traseira, o Drift consiste em muitas técnicas para fazer manobras radicais com o carro. Não é um esporte para qualquer piloto, mas para aqueles que realmente são hábeis com o volante e pedais. O esporte é muito difundido no país de origem, Japão, Europa e nos EUA, com grandes campeonatos. Aqui no Brasil ainda é pouco conhecido.
Para aqueles que levam a sério Drifting, o carro deve ter sua mecânica específica para agüentar as exigências das manobras e da segurança do piloto. Para acumular pontos numa competição é avaliado principalmente:
1 - Velocidade de entrada na curva;
2 - Inclinação do carro em relação à pista;
3 - Tempo em que o carro “anda” de lado;
4 - Realização de derrapagem nas curvas sequencialmente;
5 - E a quantidade de fumaça que sai dos pneus.
Carro para Drift:
Quanto mais o pneu for duro e menos aderente ao solo, melhor. Para isso coloca-se um modelo mais largo e de borrracha mais dura, e ainda aplica-se uma calibragem mais alta do que a normal.
Somente carros com tração traseira e motor dianteiro podem fazer Drifting de verdade.
A suspensão é rebaixada e as molas são trocadas por outras mais rígidas. As engrenagens da transmissão por serem muito forçadas na troca de marcha constante, devem ser de dentes retos e forjados, em vez de helicoidais como geralmente vem nos carros.
Câmbio seqüencial ajuda mais na hora do engate.
Um componente da transmissão do carro, chamado de diferencial, permite que as rodas de um mesmo eixo girem em velocidades diferentes quando o carro faz uma curva. Num carro para Drift, esse componente é praticamente desativado. Isso porque as rodas traseiras devem girar e derrapar sempre ao mesmo tempo e evitar quebra na torção.
Quanto mais potência o carro tiver, melhor para deslizar no solo e fazer as manobras.
O freio de mão tem que estar em dia, pois o nível de derrapagem é controlado por ele.
O filme “Velozes e Furiosos 3: Tóquio Drift” mostra a adrenalina desse esporte. Mas vale salientar que Drift de rua é proibido por lei e que no filme algumas manobras são totalmente obra da computação gráfica…
|